Tradição no sabor do queijo

Como tudo começou

Quando um dia lhes foram bater à porta a oferecer a possibilidade de ficar com um belo rebanho de 60 ovelhas bordaleiras de um velho pastor, Luís e Lurdes, proprietários da Quinta Madre de Água – Hotel Serra da Estrela, não imaginavam nos sarilhos em que se estavam a meter. Isto porque, depois de as comprar, tiveram de criar condições para as acolher, o que não foi fácil.

Além de não terem experiência, havia falta de colaboradores – a arte do pastoreio está em vias de extinção – o que redobrou os esforços. Mas valeu a pena, já que os projectos se desenvolveram com maior celeridade.

Compraram mais terras para pastagens, construíram um ovil, uma sala de ordenha e uma queijaria. Hoje, são mais de 450 ovelhas e 150 cabras a produzir o melhor leite e queijo da região, uma realidade comprovada pelos prémios ganhos. Quem cuida dos animais é uma equipa de dedicados pastores que todos os dias inicia as suas actividades de madrugada e termina após o pôr-do-sol.

Uma vida dura, compensada pelo amor à profissão e aos animais, mas tendo sempre como prioridade a recuperação da arte do pastoreio e o respeito pela profissão de pastor.

A ovelha bordaleira

A bordaleira pode ser preta, branca e serrobeca, com olhos grandes e expressivos, e cornos enrolados em espiral, uma característica comum a ambos os sexos. É considerada a ovelha de maior aptidão leiteira, com a principal finalidade de produzir Queijo Serra da Estrela (DOP), mas também serve a vertente da produção de carne com o Borrego Serra da Estrela (DOP). Esta raça autóctone é cada vez mais importante na componente económica e social de uma vasta região, pois ela está intimamente ligada a uma cultura que já perdura há séculos.

A Bordaleira da Serra da Estrela é a única raça autóctone existente na Quinta Madre de Água – Hotel Serra da Estrela, sendo ela quem assegura a qualidade na produção dos queijos. Para tal, o pastoreio é seguido de perto, assim como são feitas análises e inspecções regulares, de forma a assegurar a mais alta qualidade do leite.

Ao longo dos anos, tem sido desenvolvido o melhoramento da raça, no que diz respeito à produção de leite, com a recria dos melhores machos e fêmeas das melhores ovelhas de produção. Para que isto seja possível é feito o contraste leiteiro, que consiste na medição individual de cada ovelha uma vez por mês, nas adultas durante cinco meses e três nas malatas paridas

A melhor ovelha da Queijaria Madre de Água – Serra da Estrela aos 150 dias tem uma produção de 514,1 litros de leite com uma média diária de 3.022 Litros.

Na Queijaria Madre de Água – Serra da Estrela também se faz o controlo do ciclo reprodutivo, tendo em conta as melhores pastagens que surgem no início do Outono. O tempo de gestação de uma ovelha é de 5 meses, lançando-se os machos a partir do dia 15 de Março. Ao iniciar-se o Alavão, as ovelhas têm de ser ordenhadas duas vezes ao dia, de manhã e de tarde, não ultrapassando 12 horas de intervalo. Para se fabricar 1 quilo de queijo são necessários 5 litros de leite.

Sem uma boa alimentação não é possível investir em raças autóctones e no seu melhoramento, como é o caso da ovelha bordaleira, tão importante na economia da região. Daí ser necessário cultivar forragens de alto valor nutritivo. As pastagens constituem a base natural e principal da alimentação dos ovinos da Queijaria Madre de Água – Serra da Estrela, mas também feno e um suplemento de cereais. É através da sua alimentação que se obtém uma qualidade de excelência no leite e na carne.

TOSQUIA E LÃ

Além da sua utilização alimentar, as ovelhas da Queijaria Madre de Água – Serra da Estrela ajudam também a dinamizar a vertente turística, já que todos os anos lhes é feita a tosquia, uma actividade onde os hóspedes podem participar.

Seguidamente, é servido um almoço regional, onde os participantes podem conviver e deliciar-se com produtos da quinta.

A tosquia acontece geralmente em Maio, tendo como finalidade libertar as ovelhas do calor produzido pela lã durante os meses quentes, assegurando-se o seu crescimento antes da chegada do tempo frio, para que não fiquem desprotegidas.

Pelo facto de ser uma lã curta, depois de transformada é utilizada para tecidos grosseiros como, por exemplo, o burel. É deste tecido que se fabrica o traje dos pastores – calça, colete e capa – que tem de ser quente e confortável para os abrigar no Inverno. Curiosamente, o interesse pelo burel tem crescido e está também a ganhar um papel de relevo na alta costura.

A Queijaria

O edifício projectado pelo gabinete Palmer e Grego foi um autêntico desafio à criatividade, face à especificidade do projecto, e porque se pretendia construir uma queijaria que juntasse a tradição de fazer o queijo às novas tecnologias. Desde a estabilização do conceito ao projecto de execução, passaram-se dois anos. Hoje, a queijaria encontra-se enquadrada nesta paisagem bucólica, com recurso a materiais da região, funcional, com condições de trabalho de excelência.

A Queijaria Madre de Água – Serra da Estrela trabalha com uma equipa especializada, profundamente conhecedora da arte de produzir queijo.

Com capacidade para receber 1500 litros diários, está dotada de um rigoroso sistema de controlo de produção e de segurança alimentar, garantindo uma grande qualidade dos produtos ao longo do processo produtivo.

Os nossos Queijos